CAIO CANHEO: “Precisamos trazer a esperança e renovação”

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O empresário Caio Canheo pediu sua desfiliação do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro e vai se filiar ao União Brasil, partido à qual seu pai. Ele é filho de do ex-prefeito Luiz Carlos Canheo (1996 e 2001-2004) e militando na política desde a adolescência, Caio se candidatou a uma vaga na Câmara Municipal pelo PL e obteve uma votação que, em outros partidos, o daria a vaga. O sistema proporcional usado no Brasil para eleger vereadores foi injusto com ele. Nas suas redes sociais, Caio exibe vídeos com críticas ao governo do PT e do presidente Luís Inácio Lula da Silva. Na campanha eleitoral de 2018, Caio foi um dos organizadores de uma grande carreata em prol ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Com 391 votos, mais da metade de todo o partido, que somou 720 votos – ele vai para o União Brasil à convite do ex-vereador Hélio Poloto, e deve assumir a presidência da sigla. Antes dele, seus irmãos também tentaram em vão uma vaga à Câmara. Em entrevista ao MR Notícias, Caio disse que saiu do partido em um momento que se sentiu excluído.

Você teve 391 votos na eleição do ano passada, que em outro partido talvez o elegeriam O PL, seu partido, teve somente 5 candidatos. Você estava no Democratas e foi para PL? Foram as propostas que o fizeram mudar de partido?
R:
Em 2002, eu estava filiado no partido PFL (Partido da Frente Liberal). O partido mudou seu nome para Democratas (DEM) e, em 2021 com a fusão com o PSL, passou a se chamar União Brasil. Em 2024 fui convidado me filiar no PL, pois o partido estava sendo reestruturado em Monte Aprazível. Eu vi a oportunidade de poder participar na elaboração de um partido forte, buscando pessoas novas. Ao ser convidado para migrar para o PL, foi realizado o compromisso de manter reuniões periódicas para trabalharmos em projetos e possíveis melhorias para a cidade paralelamente, capacitando pessoas na execução da vereança ao logo dos anos, podendo apresentar em novas eleições candidatos novos e preparados. Quando eu fui convidado para sair como candidato, foi exposto que faltava apenas uma pessoa para fechar a chapa com 10 candidatos, por hora ainda declinei, mas para auxiliar o partido, antecipei futuros projetos políticos, acabei aceitando e fui descobrir que tinha sido registrado apenas 5 candidatos. Em uma conversa informal entre amigos, depois que estudei toda a situação, entendi a grande dificuldade. Contudo, diante de tudo, percebi que precisaria trabalhar mais e torcer pela sobra de votos para poder me eleger. A migração não foi apenas pelas propostas. Sempre votei contra o PT. Em 2018, reuni um grupo e trabalhamos em prol a candidatura de Bolsonaro para presidente. Utilizando recursos do nosso bolso e doações, fizemos uma das maiores carreatas já vistas em Monte Aprazível, tal qual em 2022, pelo acaloramento político geral e participação indireta, migrei sem hesitar.

Após o resultado das eleições do ano passado, vocês do PL fizeram avaliação do desempenho?
R:
Não que eu saiba, solicitei reuniões várias vezes para tratarmos desses assuntos, para desenvolvermos um brainstorming (tempestade de ideias ou desenvolver novos projetos), levantando e priorizando diferentes ideias e possíveis causas, mas fiquei com o sentimento da exclusão.

O que você aprendeu com essa experiência, mesmo não tendo sido eleito?
R:
É uma experiência onde todos deveriam passar um dia, a interação com o povo, sair de nosso mundo e ouvir as pessoas, rever amigos que a anos não conversamos; saber as dificuldades básicas que muitos passam ao nosso lado, sem que saibamos, é um crescimento pessoal muito grande, conhecemos realmente quem está ao nosso lado e realmente acredita em nosso potencial, ora vejo as pessoas próximas se afastando e muitos desconhecidos ao nosso lado, ora lutando e acreditando, é uma experiência única.

Quais são suas expectativas e objetivos agora que está ingressando em um novo partido?
R:
Expectativas das melhores, objetivo é contribuir junto a diretoria e filiados na renovação e fortalecimento.

Como você pretende contribuir para o União Brasil e para a política local em Monte Aprazível?
R:
O objetivo é contribuir com o partido em trazer mais pessoas, principalmente aqueles que gostam da política, mas estão desacreditados. Precisamos trazer a esperança e renovação, buscar perfis adequados, capacitar e orientar na execução das funções e tarefas da vereança, poder ter um partido que contribui na formação de projetos e melhorias, com suporte integral a candidatos e vereadores que nos venham a representar. A união de pessoas de diferentes culturas e ambientes, vivenciam experiências diversas, na interação geram dados e oportunidades que geram novos projetos e melhorias para a cidade, nosso desafio como partido, seria unir e liderar essas reuniões.

Na sua visão, quais são os principais desafios que Monte Aprazível enfrenta atualmente?
R:
Monte Aprazível é uma cidade maravilhosa. Viajo muito em função de meu trabalho para estados diversos e regiões desde o sul ao norte. A nível comparativo, é muito bom morar em nossa região, mas sempre tem muito o que melhorar. O desafio maior está na elaboração de uma política que venha a trazer e fomentar novas empresas, trazer empregos, fazer com que o dinheiro volte a circular em nosso município a nível de prosperidade. Um outro ponto importante está na segurança pública. Precisamos utilizar mais da tecnologia (câmeras inteligentes, inteligência artificial) para aprimorar a segurança e inibir a movimentação e comercialização de drogas em nossa cidade. Esse é um câncer que tem contaminado jovens, destruindo a eficácia das demais políticas públicas que interagem com esse público, lembrando que o jovem é o futuro idealizador. Precisamos trabalhar pela agilidade nos atendimentos e exames quanto a saúde, entre outros.

Qual sua avaliação do Governo Camargo até o momento?
R:
Acredito no Camargo. Ele é um gestor, tem vontade e perfil empreendedor, o resultado do prefeito está diretamente proporcional a qualidade e perfil de seus assessores. O visual da cidade está melhorando a cada dia. Bastante melhorias quanto ao trânsito, na zeladoria, entre outros e agradar a todos sabemos que é impossível. Difícil também é ter em todas as secretarias pessoas capazes. O maior desafio do gestor está neste acerto. Vejo que o Camargo ainda está no período de colocar a casa em ordem, organizar o caixa, testar a capacidade dos escolhidos, sincronizar o perfil da vaga com o perfil do colaborador, inibir a politização com bens públicos, equilibrar as contas públicas, entre outros. Em resumo, tem muito caminho pela frente, torço por ele e pelo povo de Monte Aprazível, a questão agora e aguardar.

Você foi convidado para integrar o governo ou para colaborar de outra forma?
R:
Conheço o Camargo a muito tempo. Ele sabe de minha rotina e hoje não tenho tempo hábil para uma secretaria. Nunca conversamos a respeito e a vereança eu consigo conciliar. Agora, cumprir horário em uma secretaria seria difícil, mas me pus a disposição caso precise de alguma coisa. Não faço parte do governo, mas se precisar, ele sabe que pode contar.

Você já tem propostas ou ideias que gostaria de implementar se tiver uma nova oportunidade eleitoral?
R: Eu acredito que 90% de nossas oportunidades são geradas pelas nossas atitudes e feitos. A oportunidade eleitoral terei a cada quatro anos ou a cada cinco, se a PEC das eleições for aprovada. Não idealizo ou tenho sonho em cargos políticos. Se o povo ver em mim o poder agregar no processo, me pus a disposição me candidatando e se tiver a  oportunidade de ser eleito, tenho sim projetos para Monte Aprazível, tal como apresentado em campanha, mas o que mais idealizo é vir contribuir em trazer novos candidatos e poder auxiliar na formação dos mesmos para atuação de uma vereança produtiva, proativa, que olhe pelo povo e defenda e tenha condição na elaboração de bons projetos.

O que o levou a se candidatar a vereador nas eleições de 2024?
Resposta: Quanto a me candidatar a vereador, sempre estive ligado a política, mas sempre nos bastidores, acompanho as sessões da Câmara pelo Youtube, observo os posicionamentos e ações da vereança, vejo que posso vir agregar, buscando a deliberar mais, elaborar projetos de leis que visam agregar na prosperidade da cidade. É visto um histórico na vereança se limitando em fazer indicações, moções, mudança do nome de ruas, lombadas. Esses dias escutei um vereador em tribuna fazendo uma alusão, se referindo a ele e aos nobres pares, “parecemos filhos pedindo ao pai” ao fazer indicações, sendo que muitas das indicações podem ser realizadas através de projetos legislativos. Em virtude desses conceitos gerais, tomei a iniciativa em participar do processo, me candidatando a vereador.

Quais foram os principais desafios que você enfrentou durante a campanha?
R: Quanto a candidatar, não estava em meus projetos de curto prazo, fui pego de surpresa, tive o convite para ir para o partido (PL) meses antes, quase nas vésperas do registro da campanha. Fui convidado a ser candidato, os gestores do PL ficaram das 10 às 14 horas na minha empresa, me convencendo a sair, foi onde uniu o útil e o agradável. Uma vez que estava em meus propósitos futuros, assim, o desafio foi a apreensão inicial: como começar, os cuidados com a prestação de contas, uma vez que temos um limite de gasto, buscar doações com pessoas físicas, expor as ideias em vídeos, conciliar minha agenda profissional com a campanha, fiquei 15 dias no Pará, durante a campanha, fazer visitas nas residências, enfim, foi sair completamente de minha rotina de um dia para o outro e mergulhar de cabeça num propósito dessa magnitude.

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