
Seis meses após tomar posse como provedor da Santa Casa de Monte Aprazível, Cesar Domingues acorda todos os dias pensando em como aumentar as receitas da entidade e diminuir as despesas. Uma tarefa difícil.

César assumiu no dia primeiro de julho de 2022 depois de uma fase conturbada da instituição, mais precisamente entre o provedor anterior, João Roberto Camargo e o prefeito Marcio Miguel.
Camargo cobrava de Marcio, dos prefeitos da região e da DRS (Direção Regional de Saúde) um aumento nos repasses para fechar as contas.
Em entrevista ao MR Notícias, César Domingues mostrou que em seis meses de gestão, conseguiu diminuir as despesas da Santa Casa, mas não o suficiente para fechar as contas.
“Na gestão anterior, as despesas eram de R$ 746 mil com 116 funcionários, demiti alguns contratei outros para nos adequarmos a situação. Hoje temos 111 funcionários e uma despesa mensal de cerca de R$ 700 mil”, disse César.
O provedor assiná-la que recebe repasses do SUS (Sistema Único de Saúde) dos planos de saúde (quando são feitos os atendimentos) e das prefeituras de Monte Aprazível, Poloni, União Paulista.
Prefeituras
Com a prefeitura de Nipoã, César disse que por opção da provedoria e após apresentar a tabela de custos para atender a população de cidade nos serviços de urgência e emergência, decidiu não renovar o contrato para 2023.
Segundo César, foi apresentada uma proposta de reajuste, que não foi aceita pelo prefeito José Pedro Rampim (PSDB). O prefeito fez uma contraproposta que não foi aceita.
Com a prefeitura de União Paulista, a Santa Casa está em negociação. César se reuniu na última quinta-feira (12) com a prefeita Kendra Papile (PV) e aguarda um posicionamento.
A prefeitura de Poloni já renovou o contrato e aumentou o valor do repasse, passando de R$ 30 mil para R$ 40 mil mensais, além de um aporte que ainda será definido após o fim do recesso da Câmara de Poloni.
Receitas
Logo quando assumiu, menos de um mês depois, o prefeito Marcio Miguel (PSDB) enviou um projeto de lei à Câmara de Vereadores para autorizar a prefeitura fazer um aporte de R$ 600 mil para a Santa Casa, divididos em 3 parcelas.
Mensalmente, a prefeitura de Monte Aprazível já repassa para o Santa Casa R$ 8.055,00 por dia, o que dá R$ 241.650,00 (nos meses de 30 dias) e R$ 249.705,00 (nos meses de 31 dias) o que dá em média R$ 2.940.075,00 (dois milhões, novecentos e quarenta mil e setenta e cinco reais) por ano.
Somados os repasses das prefeituras de Poloni, União Paulista, Nipoã e Monte Aprazível, com outras receitas como planos de saúde e serviços particulares, as receitas da Santa Casa ficavam até o ano passado em torno de R$ 600 mil.
Déficit
A luta para fechar as contas todos os meses é diária. Para que a entidade trabalhasse sem déficit, segundo Cesar, seria necessário que cada prefeitura contribuísse com um valor fixo, de cerca de R$ 10 por habitantes de cada cidade e não pelo total de atendimentos realizados por mês.
“Quando fechamos um contrato com cada prefeitura, o serviço fica à disposição por 24 horas para todos os cidadãos daquela cidade”, salienta.
Com isso, o déficit mensal hoje está em torno de R$ 100 mil.
Prefeito de Monte Aprazível salva a entidade, por enquanto
No mês de dezembro, a Prefeitura realizaria uma nova licitação para contratar uma nova entidade ou OSS (Organização Social) para prestar os serviços de pronto-socorro 24 horas da assistência básica de saúde, incluindo: prédio, profissionais, equipamentos e materiais de consumo, serviço já realizado pela Santa Casa. A licitação foi cancelada no dia 28 de dezembro para adequações no edital.
Com cancelamento e sem contrato em vigência, a Prefeitura ficou impedida de realizar a transferência de recursos para a Santa Casa.
Para não paralisar a prestação de serviços, o prefeito Marcio Miguel enviou um projeto de lei para Câmara de Vereadores autorizar um repasse, na forma de custeio, no valor de R$ 380 mil.
Este valor será pago somente no mês de fevereiro. Com isso, haverá tempo hábil para a Prefeitura realizar outra licitação.
Caso o novo edital contemple este valor mensal aproximado de R$ 380 mil, o déficit mensal da Santa Casa estaria sanado, ou seja, a prefeitura colocaria cerca de R$ 4.560.000,00 (quatro milhões, quinhentos e sessenta mil reais) por ano, 55,1% a mais do que foi repassado nos anos anteriores.
“Se não fosse o Márcio (prefeito), a Santa Casa fecharia”, disse César”.
Solução para aumentar as receitas
O provedor aposta na volta realização de partos, particulares e convênios, para aumentar a receita da Santa Casa.
Segundo César, a entidade já está conveniada com o HB Saúde e está em negociação com outros planos de saúde, alguns aguardando somente assinatura.
Sobre pactuar o a realização dos partos com o Sistema Único de Saúde, César afirma que está em negociação com a Direção Regional de Saúde (DRS-15).
Já sobre a tabela SUS, não reajustada há mais de 20 anos, a qual os valores dos pagamentos dos partos estariam submetidos, César disse que a Santa Casa poderia ser beneficiada com outros serviços.
“Realizando partos na Santa Casa, toda a região seria beneficiada e assim desafogaria o Hospital de Criança e Maternidade (HCM) e o Hospital de Base. Poderíamos credenciar outros serviços e assim ganhariam a população e a entidade”, disse César.
Após assumir a provedoria da Santa Casa em julho do ano passado e em pleno período eleitoral, César recebeu a promessa de vários políticos que enviaram emendas para manutenção da entidade. Os recursos ainda não chegaram
Com a chegada destes recursos, César espera reduzir ainda mais o déficit mensal para realizar investimentos e melhorias. Uma delas já está projetada: será a mudança na portaria do Pronto Socorro.
Projeto de reforma na portaria
O provedor afirma que as novas ambulâncias não conseguem entrar na área de desembarque dos pacientes devido a altura dos veículos, causando muitos transtornos.
Segundo ele, a ideia é transformar a área de desembarque em recepção e uma nova estrutura para desembarque de pacientes seria construída.
“Já temos o projeto pronto e temos alguns empresários dispostos a colaborar”, disse Cesar.

Parceiros
Falando em parceiros, com o Desafio do Bem realizado durante o Monte Aprazível Rodeio Festival em agosto do ano passado e a doação de empresas, foi possível reformar o berçário da Santa Casa.
Também foi através da doação das empresas FM Agrícola, Lojas Longo e do servidor público Silvio Parra que foi possível a aquisição de uma geladeira para armazenamento de soro contra escorpiões e cobras.
Cesar afirma que a Santa Casa está de portas abertas para que a qualquer momento a população possa tirar suas dúvidas sobre as contas da entidade.

