
Desde o final de semana, moradores de Monte Aprazível têm usado as redes sociais para relatarem o mau cheiro que toma conta da cidade, principalmente, no final de cada dia. Nas redes sociais, as teorias são as mais diversas.

Cada morador tem um relato. Uns dizem que o cheiro forte remete a gases gerados pelo transporte de suínos ou de seringueira. Alguns dizem que o forte odor vem de resíduos gerados do bagaço da cana de açúcar. Outros dizem que o odor vem de uma combinação de fatores como a estação do ano, clima e circulação do vento.
Nesta segunda-feira (30), a prefeitura de Monte Aprazível emitiu nota dizendo que suas assessorias de Saúde, Meio Ambiente e Vigilância Sanitária iniciaram visitas técnicas em diferentes locais do município, com o objetivo de detectar e identificar a possível causa do mau cheiro.
“Reiteramos nosso compromisso com o bem-estar da população e informamos que todas as medidas cabíveis continuarão sendo adotadas até que a situação seja totalmente esclarecida e solucionada”, diz trecho da nota.
Uma fonte disse ao MR Notícias que foi identificada em uma área de plantio de cana, resíduos de vinhaça e torta de filtro utilizados como fertilizantes. A fonte quis dar mais detalhes como local e se também foi identificado o proprietário para não atrapalhar as investigações. Outras avaliações serão feitas para identificar
Ao MR Notícias, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) informou que até a tarde desta terça-feira (1º de julho) não havia recebido nenhuma reclamação formal, seja de morador seja de órgão público para identificar a origem do mau cheiro.
Histórico
Em 2010, o Ministério Público entrou contra o Curtume Monte Aprazível com uma ação civil pública pela deposição irregular no solo de resíduos decorrentes do processamento do couro, como chumbo e cromo. Na época, o Curtume firmou um termo de ajustamento de conduta (TAC) com o Ministério Público se comprometendo a regularizar a situação.
O acordo foi descumprido e Curtume à época era administrado pelo Grupo Minerva, chegou a ser interditado pela Justiça em agosto do ano passado de 2009, além de ser condenado a pagar multa de R$ 334,5 mil. Dois meses depois, com o aval da CETESB, voltou a operar. Mas aí surgiu o problema do mau cheiro.
Em 2004, a CETESB constatou a morte de peixes no rio São José dos Dourados por dejetos químicos lançados pelo curtume. Na época, a empresa foi multada em R$ 7,5 mil. Dois anos depois, 11 ex-funcionários ingressaram com ação na Justiça Trabalhista alegando terem sido expostos a materiais tóxicos.
Um deles denunciou que dejetos do processamento do couro estavam sendo enterrados no local. A irregularidade motivou ação civil pública onde foi firmado o atual acordo entre a Promotoria e a empresa para a retirada dos dejetos e o fim da poluição do ar com gases tóxicos.
Com informações do Diário da Região (2010)

