GRUPO Petribu arremata Usina Água Limpa por R$ 19 milhões

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O Grupo Petribu arrematou a antiga Destilaria Água Limpa, em Monte Aprazível, por R$ 19.451.794,00, no leilão judicial encerrado nesta terça-feira (1º). A aquisição abre a possibilidade de retomada de uma unidade industrial que está fechada há mais de 13 anos e renova a expectativa de geração de empregos, renda e novos negócios para o município e toda a região.

O complexo industrial possui aproximadamente 34 hectares, além de edificações, máquinas, equipamentos e outros bens. De acordo com a Mega Leilões, responsável pelo processo, foi registrada uma única oferta, exatamente no valor de avaliação do conjunto.

A compra, no entanto, ainda precisa ser homologada pela Justiça, dentro do processo de falência da Destilaria Água Limpa, conduzido pela juíza Kerla de Castilho, da 1ª Vara de Monte Aprazível. Até que essa etapa seja concluída, não há confirmação sobre quando — ou mesmo se — a unidade voltará a produzir.

A possibilidade de retomada foi recebida com entusiasmo pelo prefeito de Monte Aprazível, João Roberto Camargo. Para ele, os efeitos econômicos podem começar ainda durante uma eventual recuperação das instalações e se ampliar com a retomada das atividades agrícolas e industriais.

“Esperamos que o grupo possa começar a fazer seus investimentos e gerar empregos até mesmo na reforma, depois na produção de açúcar e álcool. Isso é muito importante”, afirma Camargo.

A presença da Petribu também representa a retomada de uma relação que já existe há mais de duas décadas. Em 2000, o grupo pernambucano assumiu o arrendamento da então Destilaria Água Limpa, que enfrentava dificuldades financeiras. A unidade passou a operar como Agroindustrial Oeste Paulista e chegou a registrar, em uma das safras, moagem de aproximadamente 650 mil toneladas de cana e produção de 60 milhões de litros de álcool.

A experiência da Petribu na região também se expandiu naquele período. Em 2004, o grupo inaugurou a Usina Petribu Paulista, em Sebastianópolis do Sul, com investimento de aproximadamente R$ 80 milhões. A nova unidade foi criada justamente durante o período em que a empresa ainda mantinha o arrendamento da unidade de Monte Aprazível.

Em janeiro de 2012, a administração da unidade de Monte Aprazível passou para ex-funcionários e acionistas, e a empresa encerrou definitivamente as atividades em dezembro daquele ano. Na ocasião, mais de 100 trabalhadores foram dispensados.

Para o presidente do Sindalquim, João Pedro Alves Filho, uma eventual recuperação da atividade industrial poderá representar uma transformação para os trabalhadores de Monte Aprazível e dos municípios vizinhos.

“A expectativa é que essa estrutura volte a gerar empregos de qualidade, com segurança e direitos garantidos. Isso significa renda para as famílias e oportunidades para quem vive na região”, afirma.

Os impactos de uma possível reativação, porém, podem ir além dos empregos diretamente ligados à indústria. A retomada da produção tende a movimentar produtores rurais, transportadores, oficinas, empresas de manutenção, prestadores de serviços e fornecedores de insumos.

Além das contratações realizadas pela própria unidade, a circulação de salários e a contratação de serviços podem estimular o comércio local e contribuir para a arrecadação municipal. A quantidade de empregos e o volume dos investimentos dependerão do projeto que será definido pelo Grupo Petribu para o complexo.

Quase três séculos de história
A história do Grupo Petribu começou em 1729, em Pernambuco, quando Cristóvão Cavalcanti de Albuquerque instalou um pequeno engenho às margens do Rio Capibaribe, na região da Zona da Mata Norte.

O local era conhecido como “Potyraybu”, expressão de origem tupi-guarani associada à ideia de “nascente de águas claras”.

Ao longo das gerações, o engenho se transformou em uma usina. Em 1909, o então coronel João Cavalcanti de Albuquerque modernizou a estrutura, substituindo a produção movida por força animal por equipamentos a vapor importados da Europa. Em 1911, o nome Petribu passou também a ser adotado oficialmente pela família.

A empresa permanece sob controle familiar e chegou à oitava geração, consolidando uma trajetória de quase três séculos no setor sucroenergético. A Usina Petribu, em Lagoa do Itaenga, é apontada por entidades e publicações especializadas como a mais antiga usina de cana-de-açúcar em operação contínua no Brasil.

A primeira passagem do grupo por Monte Aprazível aconteceu em 2000, quando Jorge Petribu assumiu o arrendamento da então Destilaria Água Limpa. Cinco anos depois, a atuação do grupo já estava consolidada no interior paulista, com a Petribu Paulista, em Sebastianópolis do Sul, e projetos para novas unidades na região, incluindo Tanabi e Meridiano.

Agora, 26 anos depois da chegada inicial a Monte Aprazível, a Petribu volta ao município — desta vez como proprietária do complexo que um dia administrou. A eventual reativação poderá marcar um novo capítulo tanto para a empresa quanto para a história industrial da cidade.

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